A disparada nos valores cobrados por artistas e produtoras para os festejos juninos levou prefeitos baianos a acender o alerta e defender a criação de critérios objetivos, ou até mesmo um tabelamento, para a contratação de atrações durante o São João. A discussão ganhou força em reunião realizada na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, e expôs o temor de que as festas se tornem inviáveis, sobretudo nas cidades de pequeno porte.
Presidente da UPB e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso (PSD) afirmou que o cenário atual exige uma pactuação com órgãos de controle, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios. Segundo ele, a inflação dos cachês e dos custos de estrutura, como palco, som e iluminação, compromete o equilíbrio fiscal das prefeituras.
“Talvez seja o momento de criar uma tabela, principalmente para os municípios menores. Não é razoável um município pagar R$ 600 mil por uma atração e outro, vizinho, desembolsar R$ 400 mil pelo mesmo artista. Isso não é legal e não pode continuar acontecendo”, declarou.
O prefeito de Jequié (PP), Zé Cocá, foi ainda mais direto ao alertar para o risco de colapso das festas juninas. Para ele, se o ritmo de aumento dos custos se mantiver, muitos municípios deixarão de realizar o São João nos próximos anos. “Com R$ 200 mil, antes se fazia um São João razoável. Hoje, esse valor não paga nem a sonorização do palco”, afirmou, ao destacar que os gastos podem subir milhões de reais de um ano para outro.
Apesar das críticas, os gestores fazem questão de frisar que a discussão não é um ataque a artistas ou produtoras. Prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlos Matos (União Brasil) avaliou que os preços praticados atualmente seguem uma lógica própria, distante de qualquer parâmetro econômico conhecido. “Parece que se criou um indexador próprio, que não obedece à inflação nem a nenhuma taxa de referência”, disse.
Wilson Cardoso também defendeu que o debate pode abrir espaço para a valorização do São João tradicional do interior, com sanfoneiros e forró pé de serra, sem a dependência exclusiva de grandes atrações nacionais.
A UPB pretende agora formalizar reuniões com o Ministério Público e o TCM para discutir alternativas que garantam transparência, segurança jurídica e sustentabilidade financeira, preservando uma das principais tradições culturais da Bahia. Para os prefeitos, sem regras claras, o São João corre o risco de se tornar um luxo restrito a poucos municípios.



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