As farmacêuticas que vendem as versões originais dos medicamentos também encabeçam iniciativas para coibir o uso das canetas emagrecedoras falsas. A farmacêutica Eli Lilly, do Mounjaro, afirma que observou o aumento da circulação de uma substância suspeita vendida com o nome de uma de suas moléculas que ainda nem foi lançada, a retratutida.
A empresa analisou amostras ilegais em diferentes países e identificou falhas graves de segurança nos Mounjaros fakes que são vendidos, incluindo presença de bactérias, impurezas elevadas e alteração da composição química. Em alguns casos, o produto continha apenas álcool de açúcar. Para combater falsificações, a Lilly lançou ferramenta de verificação online que permite checar autenticidade por QR Code, o LillyScan.
Especialistas concordam que informação qualificada, acompanhamento médico e respeito às normas regulatórias são essenciais para evitar que promessa de emagrecimento rápido se transforme em grave problema de saúde.
“A obesidade, assim como a diabetes, é doença crônica recidivante, que muitas vezes não pode ser tratada somente com mudança de hábitos, mas temos que garantir que quem tenha acesso ao remédio é quem de fato precisa dele”, conclui Rascovski.
Risco também está no uso inadequado do remédio certificado
O risco para a saúde pode ser alto durante o uso. As substâncias presentes em canetas falsas não passam por controle de qualidade e podem causar intoxicações ou infecções graves, já que o nível de esterilização do processo produtivo não é conhecido. Além disso, mesmo que o remédio seja legítimo, usá-lo fora da indicação médica pode ter riscos graves como eventos biliares e pancreatite.
“Indicações erradas fazem com que causas endócrinas do ganho de peso passem despercebidas e possam até ficar piores com o tempo. E contraindicações graves, como histórico familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome MEN2, acabam sendo ignoradas”, diz Trombetta.
E mesmo o uso orientado por maus-profissionais, mas com fins apenas estéticos, pode cobrar seu preço. “A utilização prolongada sem controle adequado pode alterar funções metabólicas, resultando em complicações, além de causar possíveis efeitos colaterais”, ressalta Rascovski.



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