{"id":44354,"date":"2018-03-07T11:19:40","date_gmt":"2018-03-07T14:19:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.remanso-noticias.com\/?p=44354"},"modified":"2018-03-07T11:19:40","modified_gmt":"2018-03-07T14:19:40","slug":"ibge-mulheres-ganham-menos-que-homens-mesmo-sendo-maioria-com-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal.remanso-noticias.com\/?p=44354","title":{"rendered":"IBGE: mulheres ganham menos que homens mesmo sendo maioria com ensino superior"},"content":{"rendered":"<p>Mesmo em n\u00famero maior entre as pessoas com ensino superior completo, as mulheres ainda enfrentam desigualdade no mercado de trabalho em rela\u00e7\u00e3o aos homens. Essa disparidade se manifesta em outras \u00e1reas, al\u00e9m do item educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que comprova o estudo Estat\u00edsticas de G\u00eanero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil, divulgado hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Tomando por base a popula\u00e7\u00e3o de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo em 2016, as mulheres somam 23,5%, e os homens, 20,7%. Quando se comparam os dados com homens e mulheres de cor preta ou parda, os percentuais s\u00e3o bastante inferiores: 7% entre os homens e 10,4% entre mulheres.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao rendimento habitual m\u00e9dio mensal de todos os trabalhos e raz\u00e3o de rendimentos, por sexo, entre 2012 e 2016, as mulheres ganham, em m\u00e9dia, 75% do que os homens ganham. Isso significa que as mulheres t\u00eam rendimento habitual m\u00e9dio mensal de todos os trabalhos no valor de R$ 1.764, enquanto os homens, R$ 2.306.<\/p>\n<p>A economista Betina Fresneda, analista da Ger\u00eancia de Indicadores Sociais do IBGE explica que os resultados educacionais n\u00e3o se refletem necessariamente no mercado de trabalho. Segundo ela, as mulheres, por terem n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o maior do que os homens, n\u00e3o deveriam ganhar o mesmo sal\u00e1rio, em m\u00e9dia, deles. \u201cDeveriam estar ganhando mais, porque a principal vari\u00e1vel que explica o sal\u00e1rio \u00e9 educa\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o tem um sal\u00e1rio m\u00e9dio por hora maior, como na verdade essa propor\u00e7\u00e3o \u00e9 menor.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a taxa de frequ\u00eancia escolar l\u00edquida ajustada no ensino m\u00e9dio em 2016 exibe maior percentual de mulheres (73,5%) que de homens (63,2%). A m\u00e9dia Brasil atingiu 68,2%. Estudos mostram que o ambiente escolar \u00e9 mais adequado ao tipo de cria\u00e7\u00e3o dado \u00e0s meninas, em que se premia a disciplina, por exemplo, disse a analista. \u201cTem mais a ver ent\u00e3o com caracter\u00edsticas da cria\u00e7\u00e3o das meninas. Outros estudos mostram que, a partir do ensino m\u00e9dio, por exemplo, os homens come\u00e7am a conciliar mais estudo e trabalho do que as mulheres. Diversos fatores que est\u00e3o associados a pap\u00e9is de g\u00eanero.\u201d<\/p>\n<p>Em termos de rendimentos, vida p\u00fablica e tomada de decis\u00e3o, a mulher brasileira ainda se encontra em patamar inferior ao do homem, bem como no tempo dedicado a cuidados de pessoas ou afazeres dom\u00e9sticos. A pesquisa confirma ainda a desigualdade existente entre mulheres brancas e negras ou pardas.<\/p>\n<p>No t\u00f3pico da educa\u00e7\u00e3o, o estudo procurou ressaltar tamb\u00e9m que entre as mulheres, as desigualdades s\u00e3o marcantes. As mulheres brancas alcan\u00e7am superior completo em propor\u00e7\u00e3o duas vezes maior que as pretas ou pardas. \u201cEnt\u00e3o, existe um efeito tamb\u00e9m da cor da pessoa na chance de concluir o ensino superior\u201d, destacou a economista.<\/p>\n<p>O IBGE reuniu informa\u00e7\u00f5es de tr\u00eas pesquisas no levantamento: Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad), Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua) e Pesquisa Nacional de Sa\u00fade (PNS), partindo da base do Conjunto M\u00ednimo de Indicadores de G\u00eanero (Cmig), proposto pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). Somaram-se a isso dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, do Congresso Nacional e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (Inep). Os indicadores apurados foram agrupados em cinco temas: estruturas econ\u00f4micas e acesso a recursos; educa\u00e7\u00e3o; sa\u00fade e servi\u00e7os relacionados; vida p\u00fablica e tomada de decis\u00f5es; e direitos humanos de mulheres e crian\u00e7as. Dependendo do indicador, o per\u00edodo analisado vai se 2011 a 2016.<\/p>\n<p>Estruturas econ\u00f4micas<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, o tempo dedicado aos cuidados de pessoas ou a afazeres dom\u00e9sticos \u00e9 maior entre as mulheres (18,1 horas por semana), do que entre os homens (10,5 horas por semana). Na m\u00e9dia Brasil, s\u00e3o dedicadas por homens e mulheres 14,1 horas por semana a esse tipo de trabalho. \u201cPor qualquer n\u00edvel de desagrega\u00e7\u00e3o que a gente fa\u00e7a, seja por regi\u00f5es, como por ra\u00e7a ou por grupo de idade, h\u00e1 mulheres se dedicando com um n\u00famero de horas bem maior do que os homens a esse tipo de trabalho\u201d, ressaltou a pesquisadora do IBGE, Caroline Santos.<\/p>\n<p>Para Caroline, esse indicador \u00e9 importante porque d\u00e1 visibilidade a um trabalho n\u00e3o remunerado, que \u00e9 executado pelas mulheres, dentro de casa. E tem pouca visibilidade. Por regi\u00f5es, verifica-se que no Nordeste, as mulheres dedicam um n\u00famero maior de horas a cuidados, nesse tipo de atividade (19 horas por semana, contra 10,5 horas semanais dos homens).<\/p>\n<p>Caroline destacou que por cor ou ra\u00e7a existe o agravante hist\u00f3rico, caracter\u00edstico da forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, em que as mulheres pretas ou pardas se dedicam mais a esse tipo de trabalho n\u00e3o remunerado. De acordo com o estudo, as mulheres pretas ou pardas dedicam 18,6 horas semanais para cuidados de pessoas ou afazeres dom\u00e9sticos, contra 17,7 horas entre as mulheres brancas.<\/p>\n<p>Tempo parcial<\/p>\n<p>Segundo o estudo do IBGE, a dupla jornada fica n\u00edtida para as mulheres quando elas t\u00eam que se dividir entre os afazeres dom\u00e9sticos e o trabalho pago. Isso faz com que elas sejam obrigadas a aceitar, em alguns casos, trabalhos mais prec\u00e1rios, afirmou Caroline.<\/p>\n<p>Para mostrar como a carga hor\u00e1ria \u00e9 um diferencial na inser\u00e7\u00e3o de homens e mulheres no mercado de trabalho, quando se aborda o tempo parcial, verifica-se que o n\u00famero de mulheres apresenta um percentual maior (28,2%) do que o de homens (14,1%).<\/p>\n<p>Por cor ou ra\u00e7a, 31,3% das mulheres pretas ou pardas est\u00e3o no trabalho por tempo parcial, ante 25% de mulheres brancas.<\/p>\n<p>Representatividade<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 quest\u00e3o da representatividade, o estudo divulgado pelo IBGE evidencia que as mulheres s\u00e3o sub-representadas em v\u00e1rias \u00e1reas, n\u00e3o s\u00f3 na vida pol\u00edtica, como no Congresso Nacional e cargos ministeriais, mas tamb\u00e9m nos cargos gerenciais, nos cargos p\u00fablicos e privados e na institui\u00e7\u00e3o policial.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora do IBGE Luanda Botelho, o Brasil est\u00e1 mal posicionado no ranking de pa\u00edses que informaram \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o Inter-Parliamentary Union (IPU) o percentual de cadeiras em suas c\u00e2maras de deputados ocupadas por mulheres em exerc\u00edcio. Em dezembro de 2017, o Brasil ocupou a 152\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 190 pa\u00edses, com 10,5%, atr\u00e1s de na\u00e7\u00f5es com hist\u00f3rico de viol\u00eancia contra a mulher, inclusive. Na compara\u00e7\u00e3o mundial, Luanda definiu como grave a situa\u00e7\u00e3o do Brasil, que mostra o pior resultado entre os pa\u00edses sul-americanos.<\/p>\n<p>A pesquisadora destacou que o Brasil h\u00e1 ainda uma participa\u00e7\u00e3o feminina reduzida nos cargos ministeriais. Em 13 de dezembro do ano passado, dos 28 cargos de ministro, apenas dois eram ocupados por mulheres.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, as mulheres est\u00e3o em desigualdade com os homens no que se refere aos cargos gerenciais, tanto no setor p\u00fablico quanto no privado. Considerando cargos gerenciais por sexo, segundo os grupos de idade e cor ou ra\u00e7a, 62,2% dos homens ocupavam cargos gerenciais, em 2016, contra 37,8% das mulheres. Nas faixas et\u00e1rias mais jovens, entre 16 a 29 anos de idade, em especial, as mulheres apresentam melhor desempenho: 43,4% contra 56,6% de homens.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o de mulheres no efetivo das pol\u00edcias civil e militar no Brasil \u00e9 um indicador importante para avaliar a representatividade da mulher e tamb\u00e9m est\u00e1 associada \u00e0 pol\u00edtica nacional contra a viol\u00eancia contra a mulher. A lei prev\u00ea que a mulher v\u00edtima de viol\u00eancia seja atendida, preferencialmente, por policiais do sexo feminino. Mas ainda \u00e9 pequena a participa\u00e7\u00e3o feminina nas duas corpora\u00e7\u00f5es. Em 31 de dezembro de 2013, as mulheres representavam 13,4% do efetivo ativo das pol\u00edcias militares e civis no pa\u00eds, de acordo com dados da Pesquisa de Informa\u00e7\u00f5es B\u00e1sicas Estaduais (Estadic).<\/p>\n<p>No total Brasil, a propor\u00e7\u00e3o de mulheres no efetivo das pol\u00edcias civis dos estados brasileiros atingia 26,4%, em dezembro de 2013, enquanto a participa\u00e7\u00e3o nas pol\u00edcias militares era de 9,8%.<\/p>\n<p>Correio 24h<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo em n\u00famero maior entre as pessoas com ensino superior completo, as mulheres ainda enfrentam desigualdade no mercado de trabalho em rela\u00e7\u00e3o aos homens. 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